Portugal é dos países da UE com mais casas húmidas. E a humidade e o bolor são um fator de risco reconhecido para as doenças respiratórias. Reunimos os números oficiais.
Nos últimos anos, a humidade nas habitações deixou de ser só um problema de conforto ou de património: os dados oficiais mostram que é também uma questão de saúde pública em Portugal. Este artigo reúne, de forma transparente, o que dizem as fontes oficiais — e o que ainda não podemos afirmar.
Segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), tratado pelo Eurostat e pelo INE, Portugal está há anos entre os países da União Europeia com maior proporção de pessoas a viver em casas com infiltrações, humidade nas paredes ou apodrecimento de caixilhos e pavimentos. Os dados mais recentes apontam para um agravamento nos últimos anos, e não para uma melhoria.
A referência internacional é o documento da Organização Mundial da Saúde «WHO Guidelines for Indoor Air Quality: Dampness and Mould» (2009). As suas conclusões principais:
As doenças respiratórias estão entre as principais causas de doença e morte em Portugal, segundo o Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), da Fundação Portuguesa do Pulmão:
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Prevalência de DPOC (que inclui a bronquite crónica) a partir dos 40 anos | ~14,2% — cerca de 1 em cada 7 pessoas | ONDR / Fundação Portuguesa do Pulmão |
| Casas com humidade/infiltrações em Portugal | ~25% da população | Eurostat / INE |
| Aumento do risco respiratório em edifícios húmidos/com bolor | +30% a +50% | OMS (2009) |
A bronquite crónica faz parte do espetro da DPOC; a bronquite aguda, mais frequente no inverno, é agravada por ambientes frios, húmidos e mal ventilados. É precisamente no inverno que as casas portuguesas — muitas com fraco isolamento e aquecimento insuficiente — acumulam mais humidade e bolor.
Vários fatores combinam-se e explicam por que o problema é maior em Portugal do que na média europeia:
A conclusão da OMS é clara: a forma mais eficaz de reduzir o risco é eliminar a humidade persistente, não apenas limpar o bolor ou pintar por cima. Isso implica identificar a origem com um diagnóstico — humidade ascensional, condensação ou infiltração — e tratar cada causa: dispositivo não destrutivo para a capilaridade, ventilação para a condensação, impermeabilização para as infiltrações. Ver também humidade e saúde e bolor e crianças.
A humidade e o bolor estão associados, segundo a OMS, a um aumento de cerca de 30 a 50% dos sintomas e infeções respiratórias, incluindo bronquites. É um fator de risco reconhecido, não a única causa. Crianças, idosos e doentes respiratórios são os mais sensíveis.
Cerca de 1 em cada 4 (aproximadamente 25% da população), segundo o Eurostat/INE — um dos valores mais altos da UE.
A OMS indica que reduzir a humidade e o bolor reduz um fator de risco respiratório evitável. Não substitui acompanhamento médico, mas melhora o ambiente interior.
Autor: Equipa técnica da Geo Portugal · Revisão técnica: Equipa técnica da Geo Portugal · Atualização: setembro de 2026.
Fontes:
OMS — WHO Guidelines for Indoor Air Quality: Dampness and Mould (2009);
Eurostat / INE — Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), dados sobre infiltrações e humidade na habitação (ver síntese Público e idealista/news);
Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) — Fundação Portuguesa do Pulmão.
Nota metodológica: este artigo é uma compilação de dados públicos de fontes oficiais, e não um estudo epidemiológico próprio da Geo Portugal. Os valores referem-se a associações a nível populacional e não estabelecem causalidade individual. Informação de caráter geral, que não substitui aconselhamento médico.
Peça um diagnóstico gratuito. Identificamos a causa com medições e propomos a solução adequada — porque reduzir a humidade é também proteger a saúde de quem lá vive.