Humidade e saúde · Dados

Casas húmidas e bronquites em Portugal: o que dizem os dados

Portugal é dos países da UE com mais casas húmidas. E a humidade e o bolor são um fator de risco reconhecido para as doenças respiratórias. Reunimos os números oficiais.

Resposta rápida: cerca de 1 em cada 4 casas em Portugal tem humidade ou infiltrações (Eurostat/INE) — um dos valores mais altos da UE. Segundo a Organização Mundial da Saúde, viver num edifício húmido ou com bolor está associado a um aumento de cerca de 30% a 50% dos sintomas e infeções respiratórias, incluindo bronquites, tosse, pieira e agravamento da asma. Não é a única causa, mas é um fator de risco evitável — sobretudo em crianças, idosos e doentes respiratórios.

Nos últimos anos, a humidade nas habitações deixou de ser só um problema de conforto ou de património: os dados oficiais mostram que é também uma questão de saúde pública em Portugal. Este artigo reúne, de forma transparente, o que dizem as fontes oficiais — e o que ainda não podemos afirmar.

Quantas casas têm humidade em Portugal?

~25%
da população vive numa casa com infiltrações, humidade ou apodrecimento
Eurostat / INE (EU-SILC)
31,3%
em 2016 — Portugal foi então o 1.º país da UE neste indicador
Eurostat
36,4%
entre a população com menores rendimentos (2020), 2.º valor mais alto da UE
Eurostat

Segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), tratado pelo Eurostat e pelo INE, Portugal está há anos entre os países da União Europeia com maior proporção de pessoas a viver em casas com infiltrações, humidade nas paredes ou apodrecimento de caixilhos e pavimentos. Os dados mais recentes apontam para um agravamento nos últimos anos, e não para uma melhoria.

O que diz a OMS sobre humidade, bolor e doenças respiratórias

A referência internacional é o documento da Organização Mundial da Saúde «WHO Guidelines for Indoor Air Quality: Dampness and Mould» (2009). As suas conclusões principais:

Importante — associação não é o mesmo que causa individual. Estes números descrevem uma associação a nível populacional: a humidade e o bolor aumentam o risco, mas uma bronquite concreta pode ter várias causas (infeções, tabaco, poluição, alergias). Não é correto dizer que a humidade «causou X casos» numa pessoa. O que os dados mostram é que reduzir a humidade nas casas reduz um fator de risco evitável.

A carga das doenças respiratórias em Portugal

As doenças respiratórias estão entre as principais causas de doença e morte em Portugal, segundo o Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), da Fundação Portuguesa do Pulmão:

IndicadorValorFonte
Prevalência de DPOC (que inclui a bronquite crónica) a partir dos 40 anos~14,2% — cerca de 1 em cada 7 pessoasONDR / Fundação Portuguesa do Pulmão
Casas com humidade/infiltrações em Portugal~25% da populaçãoEurostat / INE
Aumento do risco respiratório em edifícios húmidos/com bolor+30% a +50%OMS (2009)

A bronquite crónica faz parte do espetro da DPOC; a bronquite aguda, mais frequente no inverno, é agravada por ambientes frios, húmidos e mal ventilados. É precisamente no inverno que as casas portuguesas — muitas com fraco isolamento e aquecimento insuficiente — acumulam mais humidade e bolor.

Porque é que Portugal é tão vulnerável

Vários fatores combinam-se e explicam por que o problema é maior em Portugal do que na média europeia:

O que fazer: tratar a causa, não só o sintoma

A conclusão da OMS é clara: a forma mais eficaz de reduzir o risco é eliminar a humidade persistente, não apenas limpar o bolor ou pintar por cima. Isso implica identificar a origem com um diagnóstico — humidade ascensional, condensação ou infiltração — e tratar cada causa: dispositivo não destrutivo para a capilaridade, ventilação para a condensação, impermeabilização para as infiltrações. Ver também humidade e saúde e bolor e crianças.

Perguntas frequentes

A humidade em casa pode causar bronquites?

A humidade e o bolor estão associados, segundo a OMS, a um aumento de cerca de 30 a 50% dos sintomas e infeções respiratórias, incluindo bronquites. É um fator de risco reconhecido, não a única causa. Crianças, idosos e doentes respiratórios são os mais sensíveis.

Quantas casas em Portugal têm humidade?

Cerca de 1 em cada 4 (aproximadamente 25% da população), segundo o Eurostat/INE — um dos valores mais altos da UE.

Tratar a humidade melhora a saúde respiratória?

A OMS indica que reduzir a humidade e o bolor reduz um fator de risco respiratório evitável. Não substitui acompanhamento médico, mas melhora o ambiente interior.

Autor: Equipa técnica da Geo Portugal · Revisão técnica: Equipa técnica da Geo Portugal · Atualização: setembro de 2026.

Fontes: OMS — WHO Guidelines for Indoor Air Quality: Dampness and Mould (2009); Eurostat / INE — Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), dados sobre infiltrações e humidade na habitação (ver síntese Público e idealista/news); Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) — Fundação Portuguesa do Pulmão.

Nota metodológica: este artigo é uma compilação de dados públicos de fontes oficiais, e não um estudo epidemiológico próprio da Geo Portugal. Os valores referem-se a associações a nível populacional e não estabelecem causalidade individual. Informação de caráter geral, que não substitui aconselhamento médico.

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