Fundamentos

Sais higroscópicos nas paredes

Porque é que a parede continua húmida ao toque mesmo depois de parar a subida de água — e o que fazer.

Resposta rápida: Os sais higroscópicos são sais solúveis — sobretudo cloretos e nitratos — que a água do solo transportou para dentro do reboco ao longo dos anos. A sua particularidade é absorverem a humidade do próprio ar. Por isso, mesmo depois de a subida de água parar, continuam a captar vapor do ambiente e mantêm a parede húmida ao toque. Para resolver, é preciso remover o reboco contaminado e neutralizar os sais antes de rebocar de novo.

Muitos proprietários tratam a origem da humidade, esperam meses e continuam com a parede fria e húmida ao toque. Não é falha do tratamento: são os sais higroscópicos que ficaram no reboco. Este artigo explica o que são, porque são tão persistentes e como se neutralizam.

O que são os sais higroscópicos?

Quando a água do solo sobe pela parede por capilaridade, não sobe pura: traz consigo sais minerais dissolvidos. Ao chegar à superfície, a água evapora, mas os sais ficam — acumulam-se dentro do reboco e da alvenaria. Os mais problemáticos são os cloretos e os nitratos, precisamente por serem higroscópicos: têm afinidade com a água e conseguem absorvê-la diretamente do vapor presente no ar. É o mesmo princípio do sal de cozinha que empedra num ambiente húmido.

Este é o ponto que os distingue de outros sais. Para perceber o quadro completo dos sais que aparecem numa parede, veja o artigo salitre nas paredes.

Porque é que uma parede continua húmida ao toque depois de parar a subida de água?

Aqui está a explicação que falta à maioria das pessoas. Depois de a humidade ascensional ser tratada, a água deixa de subir do solo. Mas os sais higroscópicos que se acumularam durante anos ficam lá. Sempre que a humidade relativa do ar sobe — de noite, no inverno, num dia de chuva —, esses sais captam a humidade do ambiente e a parede volta a ficar fria e húmida ao toque.

Ou seja: a fonte de água mudou. Já não é o solo, é o próprio ar interior. Por isso o problema pode parecer não resolvido quando, na verdade, a causa inicial já foi corrigida e o que resta é a contaminação salina do reboco.

Sais higroscópicos são o mesmo que eflorescências?

Não, e a distinção é importante. As eflorescências são os depósitos brancos e cristalinos que aparecem à superfície quando a água evapora e deixa os sais visíveis — muitas vezes são sais mais facilmente solúveis, como sulfatos, que se manifestam em cristais soltos. Os sais higroscópicos podem não formar cristais visíveis: o seu efeito principal não é a mancha branca, é manter a parede permanentemente húmida por absorção da água do ar. Uma parede pode ter os dois fenómenos, mas o problema dos higroscópicos é sobretudo funcional (humidade persistente), não apenas estético.

Como se neutralizam os sais higroscópicos?

1. Remover o reboco contaminado

O reboco impregnado de sais tem de sair — normalmente pica-se até material são, com uma margem de segurança acima da zona visível de humidade, porque os sais migram para além da mancha.

Nota: reaproveitar reboco velho contaminado é o erro mais comum — os sais reaparecem no acabamento novo.

2. Deixar secar e neutralizar

Com a alvenaria a descoberto, deixa-se secar e aplica-se um produto neutralizante ou uma barreira aos sais, que reduz a sua capacidade de reagir e de captar humidade.

Mais informação: como neutralizar os sais da parede.

3. Rebocar com argamassa adequada

Refaz-se o revestimento com uma argamassa de renovação, mais permeável ao vapor e concebida para conviver com a presença residual de sais, em vez de um reboco corrente estanque.

Ordem correta: primeiro parar a causa da água, só depois tratar os sais e rebocar.

Vale a pena sublinhar a sequência: neutralizar os sais sem primeiro parar a subida de água não resolve, porque continuaria a chegar sal novo. Por isso o diagnóstico da humidade vem sempre antes — confirma a causa da água e a extensão da contaminação salina, para planear o tratamento na ordem certa. Todo o percurso técnico está reunido no Centro Técnico da Humidade.

E o dispositivo BOX-S-GEO?

Para a origem da água — a humidade ascensional — a Geo Portugal utiliza o dispositivo BOX-S-GEO, uma solução não destrutiva. Segundo o fabricante, atua sobre a subida de água por capilaridade; os resultados são acompanhados com medições e variam conforme o edifício. Importa reter que parar a subida de água e tratar os sais já presentes são duas etapas distintas: o dispositivo atua na causa, e o reboco contaminado exige a intervenção de remoção e neutralização descrita acima.

Perguntas frequentes

O que são sais higroscópicos numa parede?

São sais solúveis — sobretudo cloretos e nitratos — que a humidade do solo transportou para dentro do reboco. Absorvem a água do vapor presente no ar, por isso, mesmo depois de parar a subida de água, atraem humidade do ambiente e mantêm a parede húmida ao toque.

Porque é que a parede continua húmida depois de tratar a humidade ascensional?

Porque os sais higroscópicos ficaram acumulados no reboco durante anos. Ainda que a água do solo deixe de subir, esses sais continuam a captar humidade do ar quando a humidade relativa é alta. É preciso remover o reboco contaminado e neutralizar antes de rebocar de novo.

Como se neutralizam os sais higroscópicos?

Removendo o reboco contaminado até material são, deixando a alvenaria secar, aplicando um produto neutralizante ou barreira aos sais e refazendo com uma argamassa de renovação adequada. Sem esta etapa, os sais voltam a manifestar-se no novo reboco.

Autor: Equipa técnica da Geo Portugal.

Fontes e notas: conteúdo com base na experiência de diagnóstico da Geo Portugal e em boas práticas de patologia da construção. As indicações sobre o dispositivo BOX-S-GEO correspondem à informação do fabricante; os resultados variam conforme o edifício e são acompanhados com medições. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa um diagnóstico presencial.

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