Pintou de novo e o salitre voltou? A tinta sela a superfície, mas não trava a água nem os sais que a empurram por trás.
Repintar uma parede afetada por salitre é uma das tentativas mais comuns — e das mais frustrantes. Ao fim de poucas semanas ou meses, a tinta volta a empolar e a cair. Perceber porquê evita gastar dinheiro no mesmo erro repetido.
A tinta forma uma película sobre o reboco. O problema é que a água que causa o salitre não vem de fora, vem de dentro da parede: sobe do solo por capilaridade, entra por infiltração ou resulta de condensação. Essa humidade continua a circular por trás da nova camada de tinta, tal como fazia antes.
No caminho, a água dissolve os sais do material e transporta-os até à superfície. Chegando à camada de tinta, encontra uma barreira: os sais cristalizam por baixo da película, aumentam de volume e exercem pressão. É essa pressão que empola, fissura e acaba por descolar a tinta — arrastando, muitas vezes, pedaços de reboco.
Há dois mecanismos a somar-se:
Ao cristalizarem sob a tinta, os sais aumentam de volume e empurram a película para fora. É a chamada pressão de cristalização, que empola e descasca o acabamento.
Muitas tintas comuns são pouco permeáveis ao vapor. Ao selar a superfície, impedem a parede de "respirar" e secar. A humidade acumula-se por trás, a aderência falha e o problema até se pode agravar.
Pintar é o último passo, não o primeiro — e só depois de a causa estar tratada. Enquanto a água continuar a chegar à parede, nenhum acabamento aguenta, por melhor que seja. O salitre é um sintoma: repintar sem tratar a origem é como pintar por cima de uma mancha que continua a alimentar-se por baixo.
A ordem correta dos trabalhos é sempre esta:
Depois da causa tratada e da parede saneada, o acabamento deve permitir a saída do vapor: rebocos macroporosos (de saneamento) e tintas permeáveis ao vapor de água, em vez de películas impermeáveis que voltam a selar o problema. A escolha exata depende do grau de sais e do estado da parede, algo que o diagnóstico ajuda a definir.
Depende da causa apurada no diagnóstico. Quando o problema é subida capilar, existem várias técnicas para travar a água na base da parede, comparadas no guia de tratamentos da humidade ascensional. A Geo Portugal utiliza o dispositivo BOX-S-GEO, uma solução não destrutiva que, segundo o fabricante, atua sobre a subida capilar da água. Para entender melhor o fenómeno, veja também salitre e humidade ascensional.
Porque a tinta só sela a superfície, sem travar a água nem os sais. A humidade continua a empurrar os sais contra a tinta, que empola, descola e deixa o salitre à vista novamente.
É uma solução temporária. A tinta não adere bem sobre os sais e a humidade que persiste volta a descolá-la. É preciso travar a causa e sanear antes de repintar.
Tratar a origem da água, deixar secar, sanear e neutralizar os sais, aplicar um reboco macroporoso e só depois um acabamento permeável ao vapor. Um diagnóstico confirma a causa.
Depois da causa tratada, tintas permeáveis ao vapor sobre rebocos macroporosos, que deixam a parede respirar, em vez de películas impermeáveis que prendem a humidade.
Autor: Equipa técnica da Geo Portugal.
Fontes e notas: conteúdo com base na experiência de diagnóstico da Geo Portugal e em boas práticas de patologia da construção. As indicações sobre o dispositivo BOX-S-GEO correspondem à informação do fabricante; os resultados variam conforme o edifício e são acompanhados com medições. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa um diagnóstico presencial.
Peça um diagnóstico gratuito antes de repintar. Identificamos a origem da água com medições e indicamos a ordem certa dos trabalhos.