Os fatores que mandam no relógio da secagem — e o que esperar ao longo dos meses, com medições e não a olho.
Depois de interromper a subida da água por capilaridade, a parede não fica seca de um dia para o outro: tem de libertar a água que já acumulou durante anos. Esse tempo varia muito de caso para caso. Abaixo explicamos o que o faz variar, o que dizem as indicações do fabricante e o que vai observar mês após mês.
A secagem é, no fundo, uma corrida entre a água contida na parede e a sua capacidade de a evaporar. Quatro fatores mandam nesse ritmo.
Quanto mais grossa a parede, mais água armazena e mais longo é o caminho que essa água tem de percorrer até à superfície para evaporar. Uma parede fina de tijolo seca muito mais depressa do que uma parede antiga de pedra com 60 ou 80 cm.
Regra prática: o tempo cresce com a espessura — é o fator que mais alarga as estimativas.
Pedra, tijolo maciço, adobe, taipa e argamassas antigas retêm e libertam a água de formas diferentes. Materiais muito densos ou com poros finos secam mais lentamente; rebocos impermeáveis ou tintas plásticas travam a evaporação e devem, muitas vezes, ser removidos.
Sinal a vigiar: rebocos e pinturas estanques que impedem a parede de "respirar" atrasam toda a secagem.
A água só sai da parede se o ar à volta a puder receber. Um compartimento arejado, aquecido e com ar em movimento seca a parede bastante mais depressa do que uma divisão fechada, fria e abafada. Boa ventilação é um acelerador natural — e barato — da secagem.
Ajuda: manter o espaço ventilado e sem obstáculos junto à parede (móveis encostados) favorece a evaporação.
Uma parede só evapora pelas faces que estão em contacto com o ar. Quando uma face está enterrada — caves, muros contra terreno, pisos semienterrados — só resta a face interior para secar, e o processo é naturalmente mais demorado. Nestes casos, as estimativas do fabricante são, à partida, mais longas.
Nota: em paredes enterradas convém verificar também se não há infiltração lateral a somar-se à ascensional.
É preciso ser honesto: qualquer número é uma indicação, nunca uma promessa. Segundo o fabricante do BOX-S-GEO, uma parede corrente evolui para valores secos ao fim de cerca de 10 a 24 meses, conforme a espessura, podendo ser mais em paredes muito grossas ou enterradas. Não vendemos "parede seca em X meses garantidos": comprometemo-nos, sim, a acompanhar a evolução com medições objetivas ao longo do tempo, para que veja o progresso real e não apenas o aspeto. Veja como funciona a nossa metodologia de diagnóstico e a lógica do tratamento da humidade ascensional.
À medida que a água migra do interior da parede para a superfície e evapora, arrasta consigo os sais que estavam dissolvidos. Esses sais depositam-se à superfície sob a forma de salitre — uma camada branca, por vezes fofa. Por contra-intuitivo que pareça, ver salitre durante a secagem é frequentemente um sinal de que a água está a sair. Por isso não se deve pintar nem rebocar cedo demais: os sais têm de ser removidos e a parede só deve ser tratada esteticamente quando as medições estabilizarem. Precipitar os acabamentos costuma fazer o salitre voltar a "furar" a nova pintura.
Ao longo do processo, o normal é: a mancha húmida vai recuando e clareando, o reboco deixa de estar frio e mole ao toque, e as leituras de humidade descem de forma consistente. É essa descida medida — e não a impressão a olho — que confirma que a parede está mesmo a secar. Para aprofundar, consulte o nosso Centro Técnico da Humidade.
Depende da espessura e dos materiais. Segundo o fabricante do BOX-S-GEO, uma parede corrente pode secar em cerca de 10 a 24 meses, e mais tempo em paredes muito espessas ou enterradas. É uma indicação, não uma garantia — a evolução é acompanhada com medições.
Porque a secagem depende da quantidade de água a evaporar (espessura), da facilidade com que os materiais a libertam, da ventilação e da temperatura, e de haver ou não uma face enterrada. Uma parede fina, ventilada e à vista seca mais depressa do que uma parede grossa, enterrada e mal arejada.
Sim. Ao migrar para a superfície e evaporar, a água arrasta os sais dissolvidos, que se depositam sob a forma de salitre. É um sinal esperado. Os sais devem ser removidos e os acabamentos só devem ser feitos quando as medições estabilizarem.
Autor: Equipa técnica da Geo Portugal.
Fontes e notas: conteúdo com base na experiência de diagnóstico da Geo Portugal e em boas práticas de patologia da construção. As estimativas de tempo de secagem e as indicações sobre o dispositivo BOX-S-GEO correspondem à informação do fabricante; não constituem acompanhamento medido e os prazos variam conforme o edifício, sendo acompanhados com medições. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa um diagnóstico presencial.
Peça um diagnóstico gratuito. Medimos a humidade, estimamos o percurso de secagem e acompanhamos a evolução — sempre com valores, não a olho.