Porque a água sobe pelos poros de uma parede — e porque é este fenómeno que está na origem da humidade ascensional.
É a mesma coisa que faz um torrão de açúcar ficar castanho quando toca no café, ou um pano de cozinha secar uma poça sem que ninguém o esprema. A água move-se por conta própria através de espaços minúsculos. Numa parede, esses espaços minúsculos são os poros do tijolo, da pedra e da argamassa — e o resultado é a humidade que sobe da base.
A água tem duas forças que trabalham a seu favor dentro de um poro fino. A primeira é a adesão: as moléculas de água agarram-se às paredes do canal (que gostam de água, dizemos que são "hidrófilas"). A segunda é a coesão, ou tensão superficial: as moléculas de água também se agarram umas às outras, formando uma espécie de película elástica na superfície.
Quando o canal é muito estreito, as moléculas que se colam às paredes puxam para cima as que estão ao lado, e a tensão superficial arrasta atrás de si toda a coluna de água. O resultado é que o líquido trepa pelo canal sem bomba nenhuma, até que o peso da própria coluna equilibra a força que a puxa. É a chamada lei de Jurin: quanto mais fino o poro, mais alto a água sobe.
A diferença está na estrutura porosa. Um material não é maciço: por dentro é uma rede de poros e canais de tamanhos variados. O que decide a subida não é só o material ser poroso, mas como são esses poros.
O tijolo cerâmico, a pedra calcária, o adobe, os rebocos e argamassas de cal antigos têm poros pequenos, todos ligados entre si. Funcionam como uma rede de palhinhas finíssimas: a água encontra sempre um caminho e chega alto.
Na prática: são precisamente os materiais das paredes antigas onde a humidade ascensional é mais visível.
Um betão muito denso, uma pedra pouco porosa como o granito são ou uma brita de fundação têm poros grandes ou quase inexistentes. Com poros largos a capilaridade é fraca; sem poros, a água simplesmente não tem por onde subir.
Na prática: por isso uma boa barreira contra a subida da água interrompe a rede de poros finos na base da parede.
Há ainda um segundo fator que agrava tudo: os sais. A água do solo traz nitratos e sulfatos dissolvidos; quando evapora na parede, esses sais cristalizam e formam o salitre. Os sais são higroscópicos — atraem humidade do ar — e por isso a parede pode continuar húmida mesmo depois de a fonte principal ter sido controlada.
Se quiser ver a capilaridade em ação, molhe a ponta de um torrão de açúcar. A mancha escura sobe sozinha, muito acima do ponto que tocou na água — os cristais de açúcar deixam entre si micro-canais por onde a água trepa. A esponja e o pano de cozinha fazem o mesmo com poros um pouco maiores. Uma parede é exatamente isto, à escala de um edifício: uma "esponja" mineral apoiada num solo húmido, que puxa a água para cima dia e noite.
Quando a base de uma parede assenta sobre solo húmido e não existe (ou já falhou) um corte hídrico, a água do solo entra pelos poros do material e sobe por capilaridade. É isto que chamamos humidade ascensional: uma mancha na parte de baixo da parede, muitas vezes com um limite em forma de onda, salitre e reboco a soltar. A altura a que chega depende exatamente daquilo que vimos acima — a finura dos poros, a quantidade de água disponível no solo e a rapidez com que a parede consegue evaporar o que sobe.
Perceber a capilaridade ajuda também a não confundir causas: a água que sobe do solo é diferente do vapor que condensa numa parede fria. Se tiver dúvidas, veja o nosso glossário da humidade e, sobretudo, faça um diagnóstico com medições antes de decidir qualquer tratamento. Pode aprofundar todos estes conceitos no Centro Técnico da Humidade.
A ideia geral é sempre a mesma: interromper a subida da água pelos poros ou reduzir a humidade que alimenta o fenómeno. Existem várias abordagens, e a Geo Portugal utiliza o dispositivo BOX-S-GEO, uma solução não destrutiva para a humidade ascensional; os resultados variam conforme o edifício e são acompanhados com medições ao longo do tempo. Seja qual for o caminho, o primeiro passo é sempre o diagnóstico — só ele confirma que a origem é mesmo a capilaridade e não outra causa.
É a capacidade de um líquido subir por espaços muito estreitos — os poros e canais finos de um material — contra a gravidade. Acontece porque a água adere às paredes desses canais e a tensão superficial puxa a coluna de água para cima. Quanto mais finos os poros, mais alto a água sobe.
Depende da estrutura porosa. Materiais com poros muito finos e interligados (tijolo, pedra calcária, argamassas antigas) fazem a água subir mais alto; materiais compactos ou de poros grandes deixam subir pouco ou nada. A presença de sais também influencia.
A humidade ascensional é a capilaridade aplicada a uma parede em contacto com solo húmido: a água do solo sobe pelos poros do material. É a mesma física do açúcar molhado, mas numa parede de vários metros e de forma contínua.
Autor: Equipa técnica da Geo Portugal.
Fontes e notas: conteúdo com base em princípios de física dos materiais (capilaridade e lei de Jurin) e na experiência de diagnóstico da Geo Portugal em patologia da construção. As indicações sobre o dispositivo BOX-S-GEO correspondem à informação do fabricante; os resultados variam conforme o edifício e são acompanhados com medições. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa um diagnóstico presencial.
Peça um diagnóstico gratuito. Confirmamos com medições se a origem é a capilaridade e propomos a solução certa — sem tratar às cegas.