Onde a água entra pela cobertura, como localizar o ponto real de entrada e que impermeabilização resolve — sem tratar às cegas.
A água que aparece num teto raramente entra onde a mancha se vê. Numa cobertura, ela aproveita um defeito, percorre a estrutura e escorre até surgir metros adiante. Perceber por onde entra é metade do trabalho — e evita refazer o teto duas vezes.
Chamamos infiltração à passagem de água do exterior para o interior através de um defeito da envolvente — neste caso, do telhado ou da cobertura plana. A água da chuva encontra uma telha partida, uma tela rasgada, um remate aberto ou uma caleira a transbordar e entra, escorrendo pela estrutura até aparecer no teto ou no topo das paredes. É diferente da humidade ascensional, que sobe do solo pela base das paredes por capilaridade e nada tem a ver com a chuva.
Vento, pisoteio e o próprio envelhecimento partem e deslocam telhas. Uma única telha fora do sítio basta para deixar passar água nos dias de chuva com vento.
Sinais: pingo ou mancha no teto do último piso que coincide com a chuva forte, sobretudo com vento de uma direção.
Nas coberturas planas e em terraços, a tela impermeabilizante seca, fendilha e descola com os anos e o sol. Deixa de reter a água, que se acumula e passa para a laje.
Sinais: manchas no teto sob uma cobertura plana ou terraço, com reboco a descolar e bolhas na pintura. Veja também terraços e varandas.
Os pontos onde o telhado encontra outro elemento são os mais frágeis. Rufos mal executados ou degradados junto a chaminés, claraboias, águas-furtadas e platibandas deixam entrar água.
Sinais: manchas junto a uma chaminé, clarabóia ou parede que atravessa o telhado.
Entupidos por folhas ou mal inclinados, transbordam e a água fica retida sobre a cobertura em vez de ser escoada, acabando por se infiltrar.
Sinais: infiltração que só aparece em chuva intensa e prolongada, perto de uma caleira ou de um ralo de terraço.
Coberturas antigas sem subtelha, ou com o material de sub-cobertura degradado, perdem a segunda linha de defesa: qualquer telha mal assente passa a deixar passar água.
Sinais: infiltrações dispersas pelo sótão ou pelo teto do último piso, difíceis de atribuir a um único ponto.
A mancha interior raramente fica debaixo do defeito: a água escorre sobre a laje ou pela estrutura antes de pingar. Por isso convém inspecionar a cobertura pelo exterior e, quando possível, o sótão por dentro durante ou logo após a chuva, seguindo o rasto de humidade até à origem. Uma câmara termográfica ajuda a revelar a zona húmida sob o reboco e a estreitar a busca antes de abrir seja o que for. Em coberturas complexas, um diagnóstico com medições poupa reparações no sítio errado.
São problemas opostos. A infiltração entra de cima ou de fora, aparece no teto e no topo das paredes e piora com a chuva. A humidade ascensional sobe do solo pela base das paredes, mostra-se até cerca de 1–1,5 m de altura, traz salitre e um limite em forma de onda, e mantém-se constante faça o tempo que fizer. Distingui-las é essencial porque a solução é completamente diferente — como detalhamos em humidade ascensional ou infiltração e na visão geral das infiltrações.
A regra é simples: trata-se a entrada, não a mancha. Conforme o defeito, substituem-se as telhas partidas e repõem-se as em falta; refaz-se a tela ou membrana de impermeabilização numa cobertura plana ou terraço; recuperam-se os rufos e remates junto a chaminés, claraboias e platibandas; limpam-se e corrigem-se caleiras e ralos; e, onde faça sentido, reforça-se a subtelha. Para o terraço, veja o guia específico; para o princípio geral, a página impermeabilização e o guia de impermeabilização de infiltrações. Se a mancha estiver no teto, veja também humidade no teto. Pintar por dentro sem selar a origem apenas adia o problema.
A pista mais clara é a mancha aparecer no teto do último piso ou no topo das paredes, piorar com a chuva e surgir junto a chaminés, claraboias ou pontos baixos da cobertura. A água entra por um defeito e escorre, pelo que a mancha visível pode estar afastada do ponto real de entrada.
Telhas partidas ou deslocadas, telas e membranas envelhecidas, remates mal executados junto a chaminés, platibandas e claraboias, caleiras entupidas e, nos terraços, impermeabilizações antigas ou ralos obstruídos.
Não. O BOX-S-GEO destina-se à humidade ascensional, que sobe do solo pela base das paredes. Uma infiltração pelo telhado é entrada de água do exterior e resolve-se reparando e impermeabilizando a cobertura: substituir telhas, refazer telas e remates, desobstruir caleiras.
Pintar ou tratar o teto por dentro esconde a mancha durante uns meses mas não para a entrada de água. A infiltração só se resolve atuando no exterior da cobertura, no ponto por onde a água entra.
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Autor: Equipa técnica da Geo Portugal.
Fontes e notas: conteúdo com base na experiência de diagnóstico da Geo Portugal e em boas práticas de patologia da construção. As infiltrações pela cobertura resolvem-se por reparação e impermeabilização do ponto de entrada; o dispositivo BOX-S-GEO não trata infiltrações, destinando-se apenas à humidade ascensional. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa um diagnóstico presencial.
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