O método químico que mede a água em peso — porque é o padrão de referência e quando se justifica usá-lo.
Um humidímetro de contacto é rápido e útil para varrer uma parede, mas dá uma leitura relativa que os sais e a humidade de superfície facilmente distorcem. Quando é preciso um número em que se possa confiar — para confirmar um diagnóstico ou acompanhar uma secagem — recorre-se à bomba de carboneto, o teste que mede diretamente a água em peso.
O princípio é uma reação química simples e bem conhecida. O carboneto de cálcio reage com a água e liberta um gás, o acetileno:
Carboneto de cálcio + água → acetileno (gás) + hidróxido de cálcio
Pesa-se uma quantidade exata da amostra da parede, coloca-se dentro do recipiente estanque (a "bomba") juntamente com o carboneto de cálcio e uma esfera que os mistura ao agitar. Toda a água presente na amostra reage e produz gás. Esse gás aumenta a pressão dentro do recipiente, e um manómetro lê essa pressão. Quanto mais água havia na amostra, mais gás se forma e maior é a pressão — a leitura converte-se depois em percentagem de água por peso através de uma tabela do próprio aparelho.
Esta é a diferença essencial. A bomba mede a massa de água que reagiu numa massa conhecida de material. O resultado é uma percentagem verdadeira (por exemplo, "4 % de água em peso"), independente do tipo de acabamento ou da presença de sais. É por isso que serve como valor de referência: pode comparar-se com limites técnicos e repetir-se ao longo do tempo para ver a parede a secar. Veja o que significam estas grandezas no glossário da humidade.
O humidímetro de contacto (resistivo ou capacitivo) não mede água diretamente: mede a condutividade elétrica ou a constante dielétrica da superfície, que correlaciona com a humidade. O problema é que os sais higroscópicos conduzem eletricidade mesmo com pouca água, a condensação molha só a superfície e certos revestimentos ou colas alteram a leitura. Resultado: o humidímetro pode indicar "muito húmido" onde há sobretudo sal.
A bomba de carboneto ignora tudo isso porque a água tem de reagir quimicamente para produzir gás. Só a água livre conta, e conta em massa. É a razão pela qual se usa para confirmar aquilo que o humidímetro apenas sugere — os dois métodos complementam-se, como explicamos em como medir a humidade de uma parede.
O rigor do resultado depende de uma boa amostragem. Em traços gerais:
A amostra recolhe-se do interior da parede, não da superfície — a superfície está exposta ao ar e não representa o corpo do material. Fura-se e recolhe-se o pó/fragmentos a uma profundidade definida.
A amostra deve ir para um recipiente fechado de imediato, para não secar antes do ensaio. Pesa-se com precisão a quantidade indicada pelo aparelho.
Junta-se o carboneto de cálcio, fecha-se a bomba e agita-se durante o tempo previsto. Lê-se a pressão no manómetro e converte-se em percentagem de peso pela tabela do fabricante.
É um ensaio pontual e ligeiramente destrutivo: fica um pequeno orifício, que depois se tapa. Por isso não substitui a varredura rápida do humidímetro — usa-se em pontos escolhidos, onde interessa um valor certo.
Não é para todos os casos. Justifica-se sobretudo quando é preciso rigor: confirmar um diagnóstico de humidade ascensional quando o humidímetro pode estar a ser enganado por sais; estabelecer um valor de partida antes de um tratamento; e acompanhar a secagem ao longo do tempo com medições repetidas. Faz parte de uma metodologia de diagnóstico séria e enquadra-se no diagnóstico de humidade presencial. Para aprofundar métodos e conceitos, consulte o Centro Técnico da Humidade.
É um método químico que mede o teor de água de um material em percentagem de peso. A amostra da parede mistura-se com carboneto de cálcio num recipiente estanque; a água reage e liberta um gás cuja pressão, lida num manómetro, é proporcional à quantidade de água.
Porque mede diretamente a água em peso e não é influenciado por sais, revestimentos ou humidade superficial, ao contrário do humidímetro de contacto, que só dá uma leitura relativa. Serve para confirmar diagnósticos e acompanhar a secagem.
Exige recolher uma pequena amostra do interior da parede por furação, pelo que deixa um orifício que depois se tapa. É um método pontual e ligeiramente destrutivo, reservado para os casos em que é preciso um valor rigoroso em peso.
Autor: Equipa técnica da Geo Portugal.
Fontes e notas: conteúdo com base na experiência de diagnóstico da Geo Portugal e em boas práticas de patologia da construção. O método da bomba de carboneto (também designado método CM, do carboneto de cálcio) é um ensaio reconhecido para determinar o teor de água em peso. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa um diagnóstico presencial com equipamento calibrado.
Identificamos a causa da humidade com os métodos certos e, quando é preciso rigor, medimos o teor de água em peso — antes de propor qualquer solução.